Rondônia na rota: BR-364 é usada por organizações criminosas para escoar cocaína
O Brasil registrou em 2025 o maior volume de apreensões de drogas da última década, reforçando um alerta das autoridades: o país segue como um dos principais corredores internacionais do tráfico de cocaína. Entre as rotas consideradas estratégicas está a BR-364, que corta Rondônia e liga a Região Norte ao Centro-Oeste e ao Sudeste.
Segundo dados da Receita Federal, cerca de 80 toneladas de drogas foram apreendidas no país em 2025, sendo aproximadamente 18 toneladas de cocaína. O número supera com folga os registros dos anos anteriores e evidencia a intensa atuação das organizações criminosas nas fronteiras brasileiras.
De acordo com o subsecretário de Integração da Segurança Pública de Minas Gerais, Christian Vianna de Azevedo, a BR-364 é uma das principais vias utilizadas para o transporte da droga que entra no Brasil pelas fronteiras com Bolívia, Peru e Colômbia.
A rodovia começa no Acre, atravessa Rondônia e Mato Grosso e segue em direção ao Sudeste, sendo apontada como um importante corredor para o escoamento de cargas ilegais até grandes centros consumidores, além de portos e aeroportos usados na exportação.
Outra estrada destacada pelas autoridades é a BR-174, que conecta Rondônia e Mato Grosso ao chamado Arco Norte, facilitando o acesso a importantes complexos portuários da Região Norte.
Além das rodovias, organizações criminosas utilizam rios amazônicos, pistas clandestinas e pequenas aeronaves para transportar drogas pelo território brasileiro. Com o fortalecimento da fiscalização aérea nos últimos anos, parte dessas operações migrou para as hidrovias da Amazônia.
Na etapa final, a cocaína segue para o exterior por portos brasileiros, principalmente o de Santos (SP), além de Paranaguá (PR) e terminais em Santa Catarina. As cargas têm como destino principalmente países da Europa, Ásia, Oriente Médio e Oceania.
O crescimento recorde das apreensões demonstra que, embora a fiscalização esteja mais eficiente, as facções criminosas continuam adaptando suas estratégias para manter o tráfico internacional de drogas em funcionamento, utilizando o território brasileiro como uma das principais rotas de passagem da cocaína produzida na América do Sul.
